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Princípios básicos de fotografia - Ficheiros RAW ou JPEG?

O nome diz quase tudo. O cantinho dos fotógrafos.

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Princípios básicos de fotografia - Ficheiros RAW ou JPEG?

Mensagempor ajsa » domingo jan 30, 2011 12:19

As primeiras máquinas fotográficas digitais ofereciam como resultado final imagens sob o formato JPEG. Este formato de imagem resolvia os problemas de espaço que na altura era bastante limitado e caro sendo completamente incomportável a gravação em formato TIFF. Com o avançar da tecnologia, as máquinas tornaram-se mais sofisticadas, rápidas, com maior capacidade de processamento e capacidade de memória. Daqui até surgirem equipamentos que oferecia imagens sem qualquer perca de qualidade foi um pulinho aparecendo no mercado os primeiros equipamentos que disponibilizam ficheiros em formato RAW.

Contrariamente ao que muitos entusiastas da fotografia pensam, os ficheiros RAW, do inglês “em bruto”, não são imagens obtidas com capacidades tecnológicas dos equipamentos fotográficos vedadas ao formato JPEG mas unicamente a informação em bruto sem qualquer tipo de processamento tal como foi capturada pelo sensor da máquina.

Ok, tenho uma bomba de máquina que me permite indicar a abertura, consegue bloquear o espelho para remover qualquer vibração na altura carregar no obturador, consegue fazer exposições prolongadíssimas e até me dá ficheiros RAW em vez de JPEG. Mas afinal o que é o RAW exactamente? Devo passar imediatamente para RAW para obter a máxima qualidade? Mas se a máquina já dá o melhor com ficheiros RAW, porque razão também dá a mesma fotografia em formato JPEG?
Certamente muitos já tiveram curiosidade em ter resposta mas estas e outras questões relacionadas com o RAW. O melhor é mesmo, e antes de mais, identificar os ficheiros RAW em comparação com os conhecidos ficheiros JPEG.

Raw

:arrow: Como referi anteriormente, primeiro que tudo temos de ter a clara noção que um ficheiro RAW não é por si só um ficheiro de imagem. Este ficheiro necessita ser processado pelo computador para resultar numa imagem.
:arrow: São todos os dados obtidos pelo sensor da máquina sem qualquer “perca” ou transformação de informação.
:arrow: Tipicamente é um formato desenvolvido pelos fabricantes das máquinas.
:arrow: Necessita de software específico desenvolvido pelo fabricante da máquina para ser lido.
:arrow: Não pode ser utilizado para impressões directas, por exemplo colocar o cartão num leitor duma loja de fotografia ou numa impressora fotográfica.
:arrow: É um ficheiro só de leitura (read-only). Qualquer alteração em pós processamento é sempre armazenada nos chamados ficheiros “sidecar - XPM” ou obriga a criação de um novo ficheiro, por exemplo TIFF.
:arrow: Não possui qualquer tipo de compressão (uma máquina com 12 mega pixel irá criar ficheiros RAW com 12 MB)
:arrow: Não possui qualquer definição de contraste (imagens esbatidas sem qualquer vida), vivacidade ou outras definições de imagem.


JPEG

:arrow: É um formato standard massivamente utilizado que pode ser lido por qualquer equipamento ou software.
:arrow: Não necessita de qualquer processamento adicional, na maior parte dos casos a imagem disponibilizada pela máquina pode ser considerada como produto final acabado.
:arrow: As imagens são obtidas após o processamento pelo software interno da máquina com as definições indicadas pelo utilizador.
:arrow: Não necessita de qualquer tipo de software específico para leitura.
:arrow: Pode ser imediatamente utilizado para impressões directas, por exemplo colocar o cartão num leitor duma loja de fotografia ou numa impressora fotográfica.
:arrow: Pode ser manipulado mas nunca sem perder informação após cada transformação, qualquer que seja.
:arrow: Muito embora não seja perceptível pela visão humana, há lugar a compressão de dados com a consequente perca de informação resultando em ficheiros extremamente mais pequenos.
:arrow: Como disse, é um ficheiro processado pela máquina e como tal a imagem já possui todas as definições finais de contraste, cor, etc...

Existem diversas outras questões a comparar mas, para o que desejamos, julgo que estas são as mais significativas e que de imediato nos obrigam a pensar e tomar decisões sobre o caminho a tomar sobre qual o formato que melhor se irá adequar às nossas necessidades.

Fotografar para ficheiros RAW obriga a pós-processamento do nosso trabalho em casa com o computador. É inequívoco que o computador terá uma maior e melhor capacidade de processamento que a máquina, mais, torna-se mais simples fazer uma actualização do software de processamento que temos no computador que o software “firmware” de processamento que temos na máquina. Mas, se irei despender muito mais tempo em casa a processar imagens obtidas em RAW correndo o risco de abandonar o trabalho por falta de tempo ou paciência e isso conduzir ao esmorecimento do amor pela fotografia, talvez seja mesmo uma boa ideia em considerar regressar ao anterior método de fotografar para ficheiros JPEG. Um bom exemplo desta situação poderá ser o enorme conjunto de fotografias obtidas num evento que certamente deixará qualquer um sem paciência para “mexer” nelas de regresso a casa.


Uma outra questão que se deve seriamente ponderar sobre o destino final das ficheiros RAW é relativamente à capacidade da sua leitura no futuro.
Como disse, os ficheiros RAW são ficheiros com formatos desenvolvidos pelos fabricantes dos equipamentos e que exigem software específico para a leitura dos mesmos. Hoje em dia, uma boa parte do software de gestão de fotografia como o LightRoom, Picasa, Aperture, Photoshop e muitos outros possuem capacidade de leitura de ficheiros RAW provenientes de diferentes marcas e modelos de máquinas mas isso não implica a continuidade no futuro ou a compatibilidade com o passado.
Um ficheiro RAW vindo, por exemplo duma Nikon D90 não é forçosamente igual ao ficheiro RAW vindo numa Nikon D3000 e como tal necessita de software que saiba interpretar diferentes os ficheiros RAW agravando-se a questão quando pensamos em ficheiros RAW provenientes de diferentes marcas de máquinas.
Imaginem o seguinte cenário no dia 25 de Dezembro de 2020. Estão reunidos com a família no dia de Natal quando alguém se lembra de mostrar as fotografias do último Natal. Abre o portátil e executa o Picasa 40.5 (é a versão da altura). Começam a ler a fotografia todas elas em ficheiros RAW e instala-se uma grande diversão até que surge uma imagem vossa que faziam de pai natal.

“Lembras-te do Natal de 2010 em que fizeste de Pai Natal e ao comer as rabanadas ficaste cheio de molho na barba postiça? Hahahahahaha.... Mostra lá isso....”

Toda a gente espera com ansiedade enquanto vais buscar um DVD carregado de grandes fotos em ficheiros RAW que guardas religiosamente no cofre. Colocas o DVD no portátil, abres com o Picasa e.... “Formato de ficheiro não conhecido!” Pommmm!!

É isso mesmo, nada garante que no futuro o software seja capaz de ler ficheiros RAW criados por equipamentos que entretanto foram descontinuados e colocados como obsoletos.


Então, deverei fotografar para ficheiros Raw ou para JPEG ou... ambos?

Correndo o risco de vir a ser crucificado pelos amantes do português bem escrito, vou abordar uma questão já falada. Fotografar para ficheiros RAW exige que o ficheiro seja processado em casa no computador com o software que temos para o efeito em vez de utilizar o software “firmware” da própria máquina ficando também claríssimo que este trabalho será inequivocamente melhor desempenhado pelo computador em vez da máquina.
É aqui que entra a principal vantagem em fotografar para ficheiros RAW.
Sabendo que a informação que temos no ficheiro RAW é exactamente aquela obtida pelo sensor da máquina e com o poder de processamento e interactividade do computador ficamos sem qualquer sombra de dúvida com um controlo abismalmente superior ao disponibilizado pela máquina. Ajustes como a exposição, balanço de brancos entre outros poderão ser efectuados sobre a imagem sem qualquer perca de informação ou detalhe.
Quando lemos um ficheiro RAW com o LightRoom, na maior parte dos casos as definições automaticamente atribuídas pelo software com base na informação recolhida no ficheiro são bastante boas e resultam muitas das vezes em imagens bastante interessantes mas ainda assim podemos efectuar correcções a halos, eliminar marcas de pó, rodar, recortar e ajustar o enquadramento, alterar o balanço de brancos e aquecer a imagem, aumentar a exposição e apresentar detalhes escondidos, corrigir aberrações cromáticas e distorções provocadas pelas lentes e tudo sem nunca perder qualquer informação da imagem.
Muito embora a imagem apresentada por um ficheiro RAW tal como foi obtida é tudo menos uma fotografia rica e contrastante, a possibilidade existente de ajustar os detalhes, vivacidade e brilho bem como os ajustes de tons altos e baixos conseguimos sempre obter excelentes resultados sempre sem comprometer o original.

Hoje, com a “vulgarização” de maior volume de memória, existem máquinas que oferecem resultados para ficheiros RAW e JPEG ficando assim com ficheiros que respondem a ambos os aspectos positivos. De igual forma os algoritmos de processamento de imagem disponíveis nas máquinas atingiram um nível tal de sofisticação que conseguem oferecer excelentes resultados em JPEG que fazem inveja aos primeiros trabalhos obtidos pelas primeiras máquinas que disponibilizam ficheiros RAW.

Em jeito de resumo,

:arrow: Se temos tempo, paciência e vontade em fazer o pós-processamento de ficheiros RAW;
:arrow: Se neste pós-processamento incluir-mos a construção de novos ficheiros processados em TIFF ou JPEG;
:arrow: Se possuímos uma máquina com capacidades de responder à criação de ficheiros RAW em múltiplos disparos;
:arrow: Se possuímos espaço de memória suficientes em cartão para a nossa reportagem fotográfica (20 fotografias por dia numa semana de férias com a nossa máquina de 12 mega pixel exige um cartão de 2 GB);
:arrow: Se possuímos um bom software de gestão fotográfica;
:arrow: Se possuímos um computador com capacidade para pós-processamento de imagem;
:arrow: Se possuímos espaço em disco suficiente para armazenar grandes quantidades de informação provenientes da máquina fotográfica (cerca de 20 GB por ano);

...então a escolha recai sobre o RAW!

:arrow: Se não entendemos nada de processamento fotográfico;
:arrow: Se não tempos tempo ou paciência para estar a fazer ajustes a imagens;
:arrow: Se não temos máquina com boa capacidade de processamento e queremos fazer disparos sucessivos;
:arrow: Se desejarmos imprimir directamente da máquina fotográfica;
:arrow: Se não conseguimos oferecer as condições anteriormente referidas como necessárias para ficheiros RAW;
...então e escolha deverá ser o formato JPEG.
Finalmente, e com importância suprema, nenhum pós-processamento, nenhum software por mais sofisticado que seja conseguirá transformar uma má fotografia em boa fotografia.
Se a fotografia está desfocada, ela continuará desfocada,
Se a fotografia está com valores de exposição muito elevados ou muito baixos o resultado são ficheiros sem informação aos quais nada há a fazer!
Uma má fotografia será sempre uma má fotografia seja ela em RAW ou JPEG!

Experimentem, sejam criativos, divirtam-se!
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Re: Princípios básicos de fotografia - Ficheiros RAW ou JPEG?

Mensagempor MAntunes » domingo jan 30, 2011 18:37

Muito interessante e esclarecedor este tópico! :-D

Já conhecia as vantagens do RAW e algumas desvantagens - tempo e trabalho - mas não desta maneira tão detalhada e completa. Obrigado, pela minha parte. Vou continuar com .JPEG e tentar tirar o melhor das possibilidades que tenho actualmente à disposição.
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Re: Princípios básicos de fotografia - Ficheiros RAW ou JPEG?

Mensagempor ajsa » domingo jan 30, 2011 19:22

Exactamente!
Erradamente RAW passou a ser sinónimo de qualidade extrema e muita gente passou a fotografar para ficheiros RAW sem saber muito bem porquê ou apenas porque ouviu dizer que era melhor e mais profissional.
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